Há quase um ano e meio, começamos a desenhar uma ideia que parecia simples na teoria, mas que se revelou imensa na prática: transformar as telas de cinema e as páginas dos livros em espaços de escuta, acolhimento e emancipação. Hoje, o Cine Book Clube entra oficialmente na sua reta final do ciclo financiado pela Lei Paulo Gustavo de 2024, e o sentimento não é de despedida, mas de consolidação de um legado.
Desde o nosso primeiro encontro, o objetivo nunca foi apenas exibir um filme ou resumir um livro. O propósito sempre foi a roda de conversa que se forma depois. Foi sobre ouvir as mulheres do projeto Mulheres Arteiras debaterem distopias que se parecem tanto com a vida real. Foi sobre entrar no CASEM e entender que a juventude precisa de espaços onde a sua voz seja o centro da narrativa.
Nós não ensinamos o que pensar; nós construímos as pontes para que o pensamento crítico e a cultura fluam como direitos fundamentais. E agora, com o encerramento deste ciclo, preparamos um circuito final intenso, estratégico e profundamente focado nas juventudes e nas populações invisibilizadas de Sergipe.
O Circuito de Encerramento: Onde estaremos nas próximas semanas?
Para fechar este capítulo de um ano e meio de entregas, o Cine Book Clube fará uma maratona de encontros que representam a verdadeira essência do nosso projeto:

O Retorno ao PREFEM: Voltaremos ao Presídio Feminino de Sergipe para mais uma edição do clube do livro. Este é, sem dúvida, um dos espaços que mais exigem nossa escuta atenta. Entendemos a arte e a literatura não como fuga, mas como ferramentas de liberdade mental, ressocialização e resgate da própria identidade.
Ocupação nas Escolas Públicas: A juventude é o nosso motor. Por isso, levaremos o projeto para o Centro de Excelência Professor Paulo Freire, além de estendermos nossa caravana cultural para mais três escolas da rede pública. O objetivo é transformar o pátio e a sala de aula em arenas de debate sobre periferia, futuro e pertencimento.
Um Legado que Permanece
A realização deste projeto ao longo de todos esses meses só foi possível graças ao fomento da Lei Paulo Gustavo em Sergipe (2024), com recursos da Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe (Funcap) e do Governo do Estado. Políticas públicas de cultura são essenciais porque permitem que iniciativas como a nossa cheguem onde o acesso à arte ainda é uma barreira.
O Cine Book Clube não encerra sua história aqui; ele apenas finaliza um ciclo, deixando provado que quando a literatura e o cinema se encontram com a realidade das pessoas, a transformação é irreversível. Nos acompanhe nestas últimas sessões. O trajeto foi aleatório, mas o impacto foi milimetricamente construído por todos nós.


