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Cine Book Clube promove debate sobre juventude negra e periferia no Centro de Excelência Professor Paulo Freire

Mais uma edição do Cine Book Clube foi realizada, dia 23 de fevereiro de 2026, no Centro de Excelência Professor Paulo Freire. A escola da rede pública de ensino de Aracaju reuniu estudantes do ensino médio em um espaço de escuta, reflexão e debate crítico a partir do cinema e da literatura. A atividade integrou a exibição do documentário “Racionais MC’s – De São Paulo para o Mundo” e a mediação do livro “Racionais MC’s: Sobrevivendo no Inferno”.

A escolha do material dialogou diretamente com a realidade dos estudantes. Principalmente, no que diz respeito aos contextos sociais da periferia negra, às desigualdades históricas e às estratégias de resistência construídas por meio da arte, da palavra e do Hip Hop.

Controle da natalidade da população negra: memória, denúncia e debate

Um dos temas que mais mobilizou o debate após a exibição do documentário foi a abordagem histórica sobre o controle da natalidade da população negra nos anos 1980. O documentário apresenta recortes de fontes jornalísticas da época, que evidenciam políticas e discursos eugenistas direcionados aos corpos pretos, especialmente nas periferias urbanas. Essas informações aparecem entrelaçadas aos relatos dos integrantes que narram as lutas travadas naquele período por meio da arte e do rap como forma de denúncia, sobrevivência e afirmação identitária.

A partir desse recorte, a mediação provocou os estudantes a pensarem sobre como essas políticas e discursos afetaram (e ainda afetam) a construção de narrativas. Narrativas essas sobre quem pode viver, ocupar espaços e projetar futuro, reconhecendo que os jovens ali presentes serão os próximos profissionais. Dentre educadores, gestores e agentes sociais, muitos serão os responsáveis por conduzir a próxima geração. Esse diálogo reforçou a importância da consciência crítica sobre raça, território e poder. Compreender que o preto periférico tem espaço, voz e posição social legítima é um ato de resistência e um passo fundamental na ocupação de lugares historicamente negados.

O impacto desse tema entre os estudantes revela a potência do cinema enquanto disparador de debates pouco discutidos nos currículos formais. Foi fundamental reconhecer que essas práticas de controle não pertencem apenas ao passado distante. Essas práticas dialogam com desigualdades ainda presentes, e os alunos puderam refletir criticamente sobre racismo estrutural, políticas públicas, direito à vida e à autonomia dos corpos negros.

Hip Hop, letramento e formação crítica na escola

A ação e o debate encontrou eco imediato na postura dos estudantes ao longo da atividade. Durante a mediação, a interação foi intensa e marcada pelo interesse genuíno, especialmente em relação ao livro. Muitos dos alunos expressaram verdadeira alegria ao saber que o livro estaria disponível para leitura na biblioteca da escola.

O debate ainda foi ampliado ao transformar letras já conhecidas no campo da oralidade em objeto de leitura e interpretação. Nesse processo, o Hip Hop se consolida como instrumento pedagógico. Aproxima o texto literário da realidade dos estudantes e fortalece o letramento a partir de referências culturais que já fazem parte de seus repertórios. A escola, nesse contexto, torna-se espaço legítimo para discutir temas como identidade, desigualdade, violência, resistência e futuro, a partir de linguagens que falam diretamente com a juventude.

Cultura, educação e direito

A ação realizada no Centro de Excelência Professor Paulo Freire integra o conjunto de atividades do Cine Book Clube. Este é um projeto contemplado com recursos da Lei Paulo Gustavo, voltados à criação e manutenção de cineclubes. Mais do que uma exibição, a edição do Cine Book Clube na escola pública se consolidou como um exercício de memória, crítica e formação cidadã. Ao articular cinema, livro e debate, o projeto reafirma seu compromisso com uma educação conectada à realidade, que reconhece a juventude negra periférica como protagonista de sua própria história — ontem, hoje e no futuro.

Isoka Souza

Olá, eu sou a Isoka, essa pessoa que vos fala neste humilde site da internet, com aparência de blog. Uma simples comunicóloga que entrega um pouco do seu dia a dia como diretora de arte e empreendedora em forma de conteúdo.

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