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O Corpo e o Afeto: quando o espetáculo e a arte encontram a alma

No último sábado (27/09), tive a oportunidade de assistir ao espetáculo “O Corpo e o Afeto”, atração da 2ª edição do Sintonia Periférica, edição especial de 18 anos que aconteceu no Centro Cultural Erukerê. Saí de lá com a sensação de ter vivido algo que transcende as palavras: uma explosão de emoção, intensidade e profundidade.

É sempre um desafio escrever sobre aquilo que nos toca na raiz da alma. Esse espetáculo fez isso comigo — abriu espaço para sentimentos guardados, memórias silenciosas e a certeza de que não estamos sozinhos em nossas batalhas internas e diárias, tão difíceis e, ao mesmo tempo, tão comuns quanto simplesmente levantar para trabalhar.

Corpo como templo, afeto como ponte

A peça se desenrola como um encontro entre carne e espírito, entre a dor e o alívio, entre o visível e o invisível. O corpo, em cena, não é apenas físico: ele é um território de luta, resistência e fé. O afeto, por sua vez, surge como fio condutor, como ponte que conecta cada gesto à alma de quem assiste.

Foi impossível não me reconhecer nos movimentos, nas pausas, no silêncio que gritava. A arte, ali, rompeu barreiras invisíveis: sociais, emocionais, espirituais. Ela nos lembrou que cada um de nós carrega uma forma única — e muitas vezes abstrata — de fé, e que aceitá-la é parte fundamental da nossa caminhada.

Cultura como cura e resistência

Mais do que um espetáculo, “O Corpo e o Afeto” foi um ato de resistência cultural. Vivenciar essa experiência dentro do terreiro, no Centro Cultural Erukerê, trouxe um peso simbólico ainda maior: a cultura afro-brasileira pulsando viva, oferecendo cura, ensinando através da sensibilidade e da estética.

Ali, o palco se transformou em chão sagrado. Cada movimento de dança, cada palavra, cada silêncio ecoava como ensinamento coletivo. A arte reafirmou seu poder de curar, ensinar, libertar e fortalecer.

Saí desse espetáculo com o coração em estado de gratidão. Parabéns ao coletivo Sintonia Periférica por proporcionar esse momento na comunidade. Em tempos de tanta pressa e dureza, criar espaço para mergulhos tão profundos é um presente raro. “O Corpo e o Afeto” não foi apenas uma peça de teatro. Foi um abraço coletivo, uma prece silenciosa, um lembrete de que a arte é uma das maiores forças para nos reconectar à vida.

Gratidão ao Sintonia Periférica

O espetáculo abriu a edição comemorativa de 18 anos do Sintonia Periférica, realizado no Centro Cultural Erukerê, um espaço que pulsa memória, tradição e coletividade. O evento reuniu diferentes linguagens — teatro, música, dança, capoeira, feirinha cultural — reafirmando a potência da cultura periférica como lugar de resistência e encontro.

É uma alegria ainda maior registrar que o Trajeto Aleatório esteve presente não apenas como espectadora, mas também como parte do processo: fomos responsáveis pela direção de arte e produção visual dos cartazes de divulgação que circularam pelo Instagram.


Nosso agradecimento especial vai para Cesar Griot Nagô, produtor que nos convidou e confiou na construção gráfica deste projeto. 🌟

O impacto da PNAB na construção dessa história

É importante lembrar que o Sintonia Periférica pôde acontecer graças aos recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), que fortalece coletivos culturais em todo o Brasil. O Centro Cultural Erukerê, onde vivi essa experiência tão marcante, também é um ponto de cultura reconhecido e apoiado pela PNAB.

Esse espetáculo é a prova viva de como políticas públicas bem aplicadas transformam realidades, fortalecem comunidades e ampliam vozes que historicamente foram silenciadas.

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Isoka Souza

Olá, eu sou a Isoka, essa pessoa que vos fala neste humilde site da internet, com aparência de blog. Uma simples comunicóloga que entrega um pouco do seu dia a dia como diretora de arte e empreendedora em forma de conteúdo.

6 thoughts on “O Corpo e o Afeto: quando o espetáculo e a arte encontram a alma

  1. Que olhar sensível sobre nosso trabalho. Sou cenógrafa e Iluminadora do espetáculo e fiquei emocionada ao ler seu texto, na verdade, todos nós estamos felizes em saber que estamos no caminho certo, pois sua escrita é o reconhecimento disso. Gratidão.

  2. Gratidão pela presença a Matéria é exelente e capitou a alma do sintonia periférica , a peca e a alma ancestral do Cento Cultural Erukere.

    Agradeço imensamente
    Andson Clio

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